3º | TURMA D

Desde quando é crime não se importar com nada? Desde que simplesmente deixar passar um crime é ser cúmplice. Por que, enquanto andamos cada vez mais juntos nas calçadas, estamos cada vez mais separados?

A falta de ensino ético levou-nos ao ponto de uma ignorância social quase generalizada. Não há mais uma preocupação comum com a sociedade em si, ao menos com as pessoas dessa sociedade. Qual a diferença entre o que existe e o que a nossa mente e cultura criam? Qual a diferença entre uma pessoa estranha na calçada e seus pais? O homem na calçada é humano, tem os mesmos direitos que seu pai. Ainda assim, você assume que um deles é mais importante. As inter-relações familiares são o primeiro passo para a dissociação natural das sociedades modernas. É um processo lento que demora muitos séculos, até que esses conceitos estejam tão intrínsecos aos indivíduos que eles nem se deem conta.

Depois dos núcleos familiares, onde aprendemos que nada é mais importante que pai, mãe e suas variantes, somos levados a novos núcleos dissociativos. Agrupamo-nos por natureza animal à aquelas pessoas semelhantes a nós. Entretanto, na idade curta, não percebemos como simplesmente não há nada de significante que nos difira. Percorrendo a vida, somos levados a novos grupos excludentes, pelo pensamento, pela ocupação, pelas preferências mais generalizadas, pelos interesses. O fato é que a lógica excludente do núcleo familiar simplesmente se repete em todos esses agrupamentos, eles aceitam ou não o indivíduo que concorde, que se encaixe, mas a realidade é que isso é um desperdício do potencial humano de criação.

A mistura de compreensões e visões da realidade é um fator enriquecedor à mente e a capacidade cognitiva, dai tanto valor que se dá à culturas diferentes. O fator citado sobre os núcleos familiares, e sociais em geral só vem a se repetir nos aspectos políticos e econômicos do mundo humano. Existe uma constante tentativa de se fazer com que grupos de origens diferentes pertencentes à núcleos diferentes cedam cada vez mais a nós. O instinto humano de sobrevivência diz que devemos estar à frente de quem for se queremos perseverar e continuar na luta da vida, mas o problema é que já evoluímos da forma bruta animal há muito tempo. Não existe espaço no mundo moderno, problemático, faminto e pobre, para a lei dos mais fortes. Não há mais espaço para os patriotismos, não se pode mais haver fronteiras entre as inter-relações humanas. A lógica alfandegária é um dos fatores que impedem que a população inteira de um núcleo social africano tenha o que comer. Na verdade, a existência de país enquanto núcleo excludente de estrangeiros é absurda. Que privilégio tem alguém aos recursos naturais de um espaço, tão necessários ao mundo meramente pelo nascimento? O patriotismo é a forma mais explícita e aceita de preconceito da história. Veja-se, Ele é louvado e ainda pior, esperado. Existem mais de seis bilhões de motivos na Terra para que todas as fronteiras do mundo sejam extintas.

 
O conceito da colmeia vem realmente do mundo animal. É inegável a semelhança, porém também é inegável o fato de que abelhas são seres irracionais, programados para exercer suas funções. A aplicação do modelo social da colmeia é, na integra, impossível para os seres humanos. Mas há lições valiosas que podem ser extraídas das nossas irmãs voadoras. O homem deve existir, pura e simplesmente, para garantir a existência, capacidade de sobrevivência da totalidade humana. De que adianta o conforto de milhares, frente à desnutrição de bilhões? Quantos Einsteins foram perdidos nas florestas do Vietnã, ou nas areias férteis de sangue do deserto? A humanidade não se pode dar a esse luxo. Não seremos todos extraordinários, mas os fora da normalidade não são os importantes. Já é tempo de observar que continuar esperando o milagre, a volta, a ida, o éden, as virgens que sejam, não resolverá. Estamos sós com nossos problemas, e nenhum acontecimento utópico nos dará as respostas se não corrermos atrás delas.

 
A função do indivíduo é vital para o Todo. Desde a abelha que poliniza, à que faz o mel, à rainha que produz as novas abelhas, todos são vitais. Corte um tendão, e todo o sistema muscular mancará. De que nos importa um sistema industrial forte, sólido, sem matéria prima? Máquinas sem produto? Pior, sem uso. Abandonemos os conceitos que criamos em nossas cabeças para regrar nossas ações. Criemos novos, melhores mais eficientes, que gerem resultados melhores para todos. Por que seus pais serão mais importantes que o homem da rua? Eles não serão. Eles serão como você, o homem, e qualquer um. Livremo-nos lentamente de todos os conceitos que nos separam há séculos.
O universo é cruel com quem quer que seja. Estrelas, da magnitude que são, morrem. E um mero humano? A vida é tão importante? Importante é o que o indivíduo deixa pra trás. É a sua contribuição para a humanidade. O que você fez para mudar o planeta? Foi notado. Será carregado para as próximas gerações e você já pode não ser lembrado pelo nome, mas seu legado será imortal. Como o artista que se imortaliza na sua obra, dividamos como tudo, esse privilégio com todos. O homem se destacou pela sua capacidade única de se unir, por que então estamos tão propensas à nos dividir apenas por um sistema que nós mesmos criamos? Será que a pretensão humana chegou ao ponto de imaginar que somos capazes de sobrepujar a natureza? Deus quem sabe, nos o inventamos, mas o universo vai muito além dos átomos. A força que regeu tudo é capaz de destruir tudo aquilo que construiu, e não podemos fazer nada.

O humano é fraco. Os humanos não. A comunidade humana é a única possibilidade de sobrevivência de seres tão frágeis num mundo tão avassalador. Apenas na união acharemos a forma, força e motivo para continuar. Apenas para manter a existência humana devemos continuar. Imagine, quando o homem chegar a barreira da existência, a fronteira com o Vazio, nada há de nos dar motivo para continuar senão nos mesmos, de que nos serve ter todo o conhecimento, se não tivermos com quem dividi-lo? A comunidade humana deve existir simplesmente pelo motivo citado. Manter a vida humana. Não o estilo de vida humano atual, mas a existência livre, de pensamento humano. Visto que liberdade de pensamento e expressão, mas não de ação. As pessoas não podem ser livres para agir como bem compreendem como correto. As pessoas devem agir como a consciência coletiva definir como bom a todos. Qual o objetivo de haver o luxo se pode haver o conforto? O próprio conceito de luxo implica a si mesmo ostentação, e desperdício. Luxo significa excesso. Excesso não pode ser usado, assim ele não se aproveita por ninguém, quem o tem ou quem não o tem.

O homem já não necessita de revoluções tecnológicas, o modelo de pensamento que existe atualmente já admite em si mesmo a reviravolta eventual. Precisa-se de uma revolução ética. A existência humana agora paira pelas decisões tomadas em âmbito social. Como vamos tratar os nossos semelhantes irá definir o futuro da humanidade. O tempo da terra está a séculos de acabar, o homem logo há de sobrepujar os limites dá atmosfera para a vastidão do espaço, mas isso ira implicar crescentemente em relações sociais mais próximas e se os problemas que enfrentamos agora não forem resolvidos, não haverá como fugir de dentro das espaçonaves. Isso claro, contando que as tecnologias e a inventividade humana consigam tornar ao mínimo suportáveis as condições de vida previstas para nosso modelo de ação atual. Fome e miséria são as primeiras desgraças a apontar o horizonte. Não há como distribuir a comida que produzimos, da forma que fazemos hoje. É na beira do precipício que o homem vê realmente quem é, e muda. Mudaremos ou pereceremos, mas nesse momento, nenhuma mudança virá simples e fácil. Esperando pelo momento crítico da história humana só acumulamos as vítimas dele. As reformas econômicas, sociais, politicas, e o mais crítico, de pensamento, devem vir agora para que quando esse momento de crise absoluta chegar, a humanidade esteja preparada para tomar o próximo passo na evolução e perceber sua dimensão e lugar na existência.

Eduardo Sancho | Pensando Bem!

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PROVOCAÇÃO

O que você pensa sobre a realidade? Como você pensa? Tendo em vista os conteúdos estudados na disciplina Filosofia, deixe um comentário, destacando as ideias e os pontos de vista que caracterizam o seu modo de pensar.

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